O Genuíno Cristão é um Pensador Politizado (Parte 2)

Posted: Setembro 3, 2012 in Blogs Recomendados
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Rev. Jucelino Souza
via Política Reformada

Nota do Editor Geral: Esta é a segunda e última parte deste ensaio. A primeira parte desenvolve o ponto de vista intelectual. Nesta parte, o tema político é abordado.

por Jackson Salustiano

O cristão, além de ser vocacionado à reflexão, é, também, chamado a exercer sua cidadania no mais alto padrão como um ser plenamente politizado. Impresso pela cruz que faz vértice em seu peito fundando os dois alicerces de sua vida – o amor à Divindade que o criou e o amor ao seu próximo. O amor a Deus é manifestação de um reconhecimento lúcido de sua Origem. O amor ao próximo se pauta em princípios universais, coerentes e harmônicos de sua existência e coexistência.

No âmbito pessoal, é convidado e nutrido, continuamente, para um cultivo de virtudes morais, orientado pelas Santas Escrituras que assevera: “quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Fp. 4:8).

Sendo habilitado, antes de tudo, para “que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens”, intercedendo, intermitentemente, por uma ordem pacífica, em tudo cultivando as virtudes da “piedade e honestidade”, promovendo a todo tempo uma difusão do verdadeiro conhecimento, até ao não-cristão. Com isso, ampara ao seu semelhante na plenitude de sua natureza, que é tanto intelectual como espiritual (1 Tim 2:1-4).

Esse cristão tem por base de suas convicções sociais, não valores perecíveis, mas verdades absolutas, pois as obras do Criador “são verdade e juízo, seguros todos os seus mandamentos”. Estes “permanecem firmes para todo o sempre; e são feitos em verdade e retidão” (Sl. 111:7-8). Assim, está ele convicto dos fundamentos de governo e de autoridade que regem a vida social, pois tem impresso em sua consciência que “não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus” (Rm. 13:1), e a quem e como devem honrar, desejando que aqueles “que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra” (1Tim. 5:17).

Avalia, adequadamente, o valor social da riqueza e do labor, sendo instruído de que “a quem Deus deu riquezas e bens”, deu, também, “poder para deles comer e tomar a sua porção, e gozar do seu trabalho”, tendo por fundamento social que “o trabalhador é digno do seu salário” (1Tim. 5:18), reconhecendo nesta dádiva um “dom de Deus” (Ec. 5:19).

É capacitado a bem gerir, economicamente, sua riqueza, sendo apta a produzir meios para uma seguridade social, “fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade” (Ef. 4:28). Isso inclui o serviço da moradia, “sendo hospitaleiros uns para com os outros, sem murmurações, cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus” (1Pe. 4:9-10), especialmente, com as classes de pessoas por natureza vulneráveis. Executa o bem: “procurando o que é justo; ajudando o oprimido; fazendo justiça ao órfão; tratando da causa das viúvas” (Is.1:17; 1Tim. 5:3-16), tendo instituído em seu próprio corpo comunitário uma assistência social com a escolha de diáconos: “homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituem” exclusivamente, “sobre este importante negócio [ofício]” (Atos 6:3).

Para esse cristão, é um mandamento a sujeição ao magistrado, crendo que “a autoridade é ministro de Deus para o seu bem” (Rm. 13:4), “não somente por causa do termo da punição, mas também por dever de consciência”, sendo, portanto, fiel à manutenção do governo civil, como um instrumento de ordem, honrando suas obrigações, inclusive tributárias,sendo os crentes fieis descritos como aqueles que: “pagam tributos” (Rm. 13:6), estando convictos pelo credo em seus dogmas, que as autoridades “são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a este serviço” (Rm. 13:6).

Cristãos são orientados na escolha destas autoridades para o exercício de liderança eclesiástica e civil, de forma contundente e ampla, pois “por esta causa te deixei … para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam, e de cidade em cidade estabelecesses presbíteros, como já te mandei: … porque convém que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro da casa de Deus, … dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante; Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes” (Tito 1:5-9 e 1Tim. 3:1-13).

Ora, o genuíno cristão é habilitado como um instrumento para ser e fazer justiça. Fazendo-se um instrumento de pacificação social, “a ninguém tornando mal por mal; procurando as coisas honestas, perante todos os homens”,e, “se for possível, quanto estiver em vós, tendo paz com todos os homens” (Rm. 12:17-18).

Admoestado, assim, a considerar que a própria constituição de um litígio já é uma deficiência pessoal, pois “na verdade é já realmente uma falta entre vós, terdes demandas uns contra os outros. Por que não sofreis antes a injustiça? Por que não sofreis antes o dano?” (1Co. 6:7) –estando preparado para que possa, inclusive, dentre seus iguais, agir com sabedoria necessária para “que possa julgar entre seus irmãos” (1Co. 6:7), elidindo, qualquer tensão social oriunda das demandas.

Recebendo aptidão a se relacionar harmonicamente em todas as espécies de vínculo social que venha a constituir, seja conjugal [“Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne” (Ef. 5:31); “Assim também vós, cada um em particular, ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido” (Ef. 5:33)], paternal [“Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo” (Ef. 6:1); “E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Ef. 6:4)], laboral [“Vós, servos, obedecei a vossos senhores segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade de vosso coração, como a Cristo;” (Ef. 6:5); E vós, senhores, fazei o mesmo para com eles, deixando as ameaças, sabendo também que o Senhor deles e vosso está no céu, e que para com ele não há acepção de pessoas” (Ef. 6:9)].

Os cristãos, em tudo o mais, estão fundados não em utopias, mas na certeza de que tudo está no controle soberano do Criador, Providenciador e Mantenedor Eterno,uma vez que, “toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” (Tg. 1:17), e, crendo na única verdade cristocêntrica que os sustenta, “porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade” (Fp. 2:13).

FONTE: Política Reformada
Acesse: http://www.politica.reformada.org/

Rev. Jucelino Souza
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