SENADORES: EDUARDO BRAGA e DEMÓSTENES TORRES – corporativismo ou prudencia política?

Posted: Abril 5, 2012 in Blogs Recomendados
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por Rev. Jucelino Souza
via Notícias UOL

Senadores: Demóstenes Torres e Eduardo Braga

Senadores: Demóstenes Torres e Eduardo Braga

Eduardo Braga (PMDB-AM), líder do governo no Senado, participou do “Poder e Política”, projeto do UOL e da Folha conduzido pelo jornalista Fernando Rodrigues. A gravação ocorreu em 29.mar.2012 no estúdio do Grupo Folha em Brasília.

Na entrevista o senador se recusou a emitir parecer ‘sumário’ a respeito do colega que está sob severas ameaças de cassação por quebra de decoro parlamentar, o senador Demóstenes Torres. Mesmo diante das perguntas insistentes do repórter, Braga se manteve firme em não emitir juízo precipitado sobre o colega e no final da entrevista, comentou: “E quero dizer que você me apertou muitas vezes aqui sem me abraçar”.

As perguntas e afirmações do repórter sobre Demóstenes Torres, eram diretas e firmes: “Há vários indícios de envolvimento impróprio do senador Demóstenes Torres, do Democratas de Goiás, com Carlinhos Cachoeira”; “Já foram publicadas várias informações”; “O sr. acha que já há indícios suficientes para abrir esse processo?”
“Isso não é, enfim, quebra de decoro?”; “É correto um senador da República aceitar esse tipo de presente?” e “O que o sr. faria?”

As respostas do senador Braga: “Eu não sei. Não posso avaliar; “…eu não conheço as informações que estão nos processos”; “…eu não sou membro do Conselho de Ética, está certo?”; “…é preciso ter acesso aos autos…”; “Eu não gosto de fulanizar as questões e não gosto de ser aquele que, por oportunismo, ou por facilidade talvez dos holofotes etc ficar apontando o dedo e acusando as pessoas sem conhecer com profundidade.”…

Leia a íntegra da parte da entrevista em que tratado sobre o caso:

Folha/UOL: Há vários indícios de envolvimento impróprio do senador Demóstenes Torres, do Democratas de Goiás, com Carlinhos Cachoeira. Há um pedido já no Conselho de Ética [do Senado] para investigar se houve quebra de decoro. O sr. acha que já há indícios suficientes para abrir esse processo?
Eduardo Braga:
Eu não sei. Não posso avaliar. Primeiro porque eu não conheço as informações que estão nos processos. Agora é que finalmente o Ministério Público vai…

Folha/UOL: Já foram publicadas várias informações.
Eduardo Braga:
Várias informações foram publicadas, mas nós não temos acesso ainda ao que efetivamente está dentro do processo. Tem duas coisas que é preciso ser dito. Primeiro que a questão criminal, no caso do senador, é o Supremo [Supremo Tribunal Federal] o órgão competente para analisar. No caso do decoro, aí sim é responsabilidade do Senado. É preciso que nós tenhamos todas as questões e as informações para que a gente possa fazer esse julgamento de forma isenta e correta. É muito triste a gente olhar para trás e ver, por exemplo, fatos como o que aconteceu com o aquele nosso presidente da Câmara, lá do Rio Grande do Sul, que foi julgado, condenado. E depois de anos se descobriu que ele não era culpado. Não estou aqui defendendo ou dizendo que o Demóstenes é culpado ou inocente. Eu só quero dizer que, no Estado democrático de direito, é preciso assegurar a todos o amplo direito de defesa. Eu não quero aqui julgar, prematuramente, o nosso senador Demóstenes Torres. Até porque eu não sou membro do Conselho de Ética, está certo? E vou me manifestar, se for o caso, apenas no plenário.

Folha/UOL: A quebra de decoro é um pouco mais simples de ser avaliada. Porque é um comportamento. Aí há alguns fatos já notórios que são admitidos pelo próprio senador, como receber presentes de uma pessoa que agora está presa, acusada de comandar um esquema ilegal de jogos, pedir dinheiro para essa pessoa, receber um telefone para falar de maneira criptografada com essa pessoa que é, enfim, um contraventor. Isso não é, enfim, quebra de decoro?
Eduardo Braga:
Se comprovado e configurado como posto por você, claro que isso indica uma quebra de decoro. Agora, é preciso ter acesso aos autos…

Folha/UOL: Mas o próprio senador [Demóstenes] já disse que é verdade.
Eduardo Braga:
Com relação à questão do presente etc., veja, às vezes você tem uma situação em que você pode receber algo sem que haja dolo. Sem que haja má fé. Agora, é muito difícil você poder explicar uma situação dessa quando você tem comprovação de 200 telefones etc, porque aí você cria efetivamente o cenário de envolvimento e de quebra de decoro.

Folha/UOL: Senador, mas vamos observar só o aspecto dos presentes: um fogão e uma geladeira, dois itens importados que não são baratos para a maioria da população brasileira, vindos de uma pessoa que notoriamente tem problemas com a Justiça. É correto um senador da República aceitar esse tipo de presente?
Eduardo Braga:
A meu juízo não. A meu juízo não. Eu por exemplo não tenho relações…

Folha/UOL: O que o sr. faria? Devolveria?
Eduardo Braga:
Primeiro, eu não receberia.

Folha/UOL: Digamos que a pessoa se dê ao…
Eduardo Braga:
Eu devolveria. Eu devolveria. Veja, eu fui governador do Estado [do Amazonas]. Eu não tenho, nem tive relações nem formais nem informais com nenhum tipo de contraventor no meu Estado.

Folha/UOL: O sr. acha então que o senador Demóstenes poderia muito bem ter devolvido. Recebido e “olha, obrigado, não posso aceitar” e devolvido.
Eduardo Braga:
Acho que era um bom procedimento.

Folha/UOL: E o fato de ele ter aceito, isso não é um indício da quebra do decoro?
Eduardo Braga:
Aí é que nós precisamos poder aprofundar. Mas como eu não sou membro do Conselho de Ética e vou ter que me manifestar caso isso chegue no plenário, eu quero ter conhecimento efetivamente das provas para poder… Eu não gosto de fulanizar as questões e não gosto de ser aquele que, por oportunismo, ou por facilidade talvez dos holofotes etc ficar apontando o dedo e acusando as pessoas sem conhecer com profundidade. Eu vi muita… Olha, eu tenho 30 anos de vida pública. Todos os que eu vi ao longo desses 30 anos de vida pública adotar essa postura, foram penalizados pelo povo. Portanto é preciso ver o que é certo e o que é errado. E é simples na minha avaliação: o que é certo é certo, o que é errado é errado. E nós teremos no Senado o momento oportuno para poder dizer: isso aqui está errado, e está errado desta forma. E se for, lamentavelmente o senador Demóstenes terá que pagar pelos erros que cometeu.

Folha/UOL: Com a perda do mandato.
Eduardo Braga:
Com a perda do mandato, no caso do Senado. Agora, do ponto de vista criminal, ele pode responder isso inclusive com a perda da própria liberdade.

O LEÃO AINDA NÃO ESTÁ MORTO
Esta não é a primeira vez que Eduardo Braga assume esta postura em relação aos seus pares, lembro-me inclusive de de uma postura semelhante em relação ao prefeito Amazonino Mendes. Todos estavam criticando e até pedindo a cassação de Amazonino, por ter ofendido os paraenses, a questão foi notícia nacional, mas em entrevista televisa, Eduardo Braga, defendeu a serenidade e se recusou a pisotear o colega. tempos depois, Braga assumiu um apostura de confronto direto com o prefeito e não tem poupado críticas públicas a Amazonino. Ao que me parece, na ‘prudencia’política, se segue a máxima: NÃO É BOM CHUTAR LEÃO DESMAIADO!

FONTE: FOLHA/UOL
Acesse: http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2012/03/30/leia-a-transcricao-da-entrevista-de-eduardo-braga-a-folha-e-ao-uol.htm

Rev. Jucelino Souza
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E-mail: jucelinofs@yahoo.com.br

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