ENTREVISTA: CARLOS SLIM, o empresário multibilionário mexicano e HOMEM MAIS RICO DO MUNDO.

Posted: Março 8, 2012 in Blogs Recomendados
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Rev. Jucelino Souza
via Carlos Elim Helú

Estela Caparelli, da Cidade do México
http://www.epocanegocios.com.br/

Carlos Slim nasceu em 28 e janeiro de 1940, hoje ele tem 72 anos.

Carlos Slim nasceu em 28 e janeiro de 1940, hoje ele tem 72 anos.

Quem é, como vive e o que pensa o homem mais rico do planeta

Entrevistamos Carlos Slim, o empresário mexicano que desbancou Bill Gates no ranking dos bilionários.
Ele tem um pé na velha e outro na nova economia, não usa computador, mas ganha dinheiro como ninguém na era da globalização.
Quem faz sua cabeça é o futurólogo e amigo Alvin Toffler

Quando o táxi entra no bairro de Lomas de Chapultepec, penso que não haveria lugar mais apropriado na Cidade do México para abrigar a casa e o escritório do novo homem mais rico do mundo, o mexicano de origem libanesa Carlos Slim Helú.
Em “Las Lomas”, como a área é conhecida, casarões e edifícios assinados por arquitetos mexicanos de renome, como Luis Barragán e Ricardo Legorreta, foram erguidos sobre os terrenos mais caros do país.
Na rua Paseo de las Palmas já se avistam pela janela do carro os jovens executivos bem vestidos que trabalham nas empresas vizinhas de Slim, os bancos JP Morgan e Tokyo-Mitsubishi.
“O 736 é ali”, diz o taxista, apontando para o edifício de três andares onde fica a sede do Grupo Financeiro Inbursa, que abriga o escritório do empresário. O prédio nada tem de especial.
No pequeno hall principal, piso e paredes de mármore. Passo pela recepção, subo dois lances de escada e me sento em um sofá de couro, à espera de um sinal da secretária para chegar ao homem mais poderoso do México, cuja fortuna e influência são motivo de conversas apaixonadas entre os mexicanos de todas as classes sociais.
O gosto espartano sugere que os decoradores não têm influência por aqui, mas essa sensação de simplicidade se dissolve quando os olhos pousam nas pinturas e esculturas da coleção particular de Slim, distribuídas pelo ambiente. Elas são uma das glórias pessoais do empresário e ocupam todos os cantos e paredes. Trabalhos de pintores como Van Gogh, Renoir e Diego Rivera dividem espaço com A Primavera Eterna, uma das centenas de obras do escultor francês Auguste Rodin adquiridas por seu maior colecionador privado, o próprio Slim.

UM SENHOR ENTRA NA SALA E FAZ UM GESTO CALOROSO. É ELE, SLIM
Sou chamada para a entrevista e descubro que o controlador da Claro e da Embratel brasileiras despacha em uma sala ampla e austera, de cerca de 80 metros quadrados. O lugar transpira sua presença.
No canto direito, há uma mesa rentangular repleta de papéis e sem computador. O empresário não usa nem nunca usou esse tipo de equipamento.
Não lê documentos na tela nem envia ou recebe e-mails.
Slim costuma dizer que toda a informação necessária para tomar uma decisão de negócios tem de caber em uma folha de papel.
Encostado na parede, perto da porta principal, está um conjunto de sofás de couro verde e um cinzeiro de cristal onde repousa um isqueiro, pista da presença de um aficionado por charutos Cohiba, dos quais fuma pelo menos dois por dia.
Ao lado dos sofás, em um pedestal, a escultura Os Últimos Dias de Napoleão, do escultor suí­ço Vicenzo Vela (“Está lá para que ele não esqueça de que é preciso ter sempre os pés no chão”, diz uma fonte próxima ao empresário).
No canto esquerdo, uma parede repleta de livros com temas relacionados a história, economia e seu esporte predileto: o beisebol.
Ao lado, está a mesa de reuniões oval, tomada por papéis.
Cercando o lugar, óleos de pintores como os mexicanos Gerardo Murillo e José Maria Velasco. A decoração reflete, a seu modo minimalista, alguns dos princípios centrais do modelo slimiano de administração: praticidade, austeridade, adoção de estruturas simples, investimento em ativos rentáveis.

Um senhor de estatura média e gestos calorosos, entra, afinal, no escritório.
É Slim, tem 67 anos. Está vestido com uma camisa social branca com suas iniciais bordadas e uma gravata verde-menta, sem paletó.
Na conversa que se seguiu, o titã latino fala de sua receita pessoal de administração, de globalização e de temas como Brasil, redistribuição de riqueza e até mesmo felicidade.
Não se recusou a responder nenhuma pergunta.
De bom humor, sentado a minha frente com o braço apoiado na cadeira ao lado, apenas endureceu o tom ao comentar o lance épico mais recente de sua biografia: ter sido apontando, no mês passado, como o homem mais rico do mundo, desbancando o fundador da Microsoft, Bill Gates, que ocupa há 13 anos o topo da lista da fortuna da revista Forbes.
O fato, anunciado por um respeitado site mexicano de economia, o Sentido Común, que acompanha a evolução da fortuna de Slim na bolsa, provocou toda sorte de comentários e atraiu uma avalanche de atenção indesejada.
Novamente, abriu-se o debate sobre o virtual monopólio da Telmex, que tem 91% da telefonia fixa do México. Falou-se, claro, sobre o paradoxo que representa a riqueza faraônica de Slim em um país com tantos milhões de pobres.
Outra vez se discutiu quanto o empresário dedica à filantropia, quando comparado a doadores generosos como Gates ou Warren Buffett, o terceiro da lista da Forbes.

Na entrevista, Slim fez questão de desdenhar a sua nova posição de homem mais rico do planeta. “Não recebi essa notícia, mas é irrelevante”, diz ele, com semblante pesado.
“Não é uma competição. Não estou jogando futebol.”
O que o preocupa, afirma, é quanto suas empresas estão investindo e o que está acontecendo com elas.
Seu principal desafio, explicita, é usar a Fundação Carso e outros braços filantrópicos de seu grupo para combater a exclusão e a pobreza, investindo em saúde, educação e emprego.
A verba é de US$ 10 bilhões nos próximos quatro anos.
“Ninguém leva nada deste mundo quando morre”, afirma.
“A riqueza deve ser administrada com eficiência, probidade, eficácia e sobriedade.”

Existem atalhos para se entender a personalidade do homem que detém o equivalente a 7,5% do PIB do México (uma comparação, aliás, que ele abomina).
Em primeiro lugar está o pai,
um comerciante libanês que chegou ao Novo Mundo próximo às convulsões políticas da revolução mexicana, no início do século 20.
Como o pai, Slim é um homem de família, que vive cercado por filhos e genros, na vida e nos negócios.
Como ele, também, é um negociante obstinado, herdeiro de uma tradição libanesa que vem dos fenícios, os primeiros vendedores internacionais do planeta.
Diferentemente de outros bilionários recentes, Slim não é um homem moderno no sentido tecnológico ou cosmopolita da palavra.
Formou-se na velha economia e seus ídolos empresariais são Warren Buffett – com quem aprendeu a comprar na baixa – e Jean Paul Getty, morto em 1976, colecionador de arte e magnata americano do petróleo.
Getty cunhou em 1957 a frase famosamente melancólica: “Um bilhão de dólares não é mais o que costumava ser”.
Slim descobriu Getty ainda jovem, lendo uma reportagem na revista Playboy.

A ENTREVISTA – “NÃO VOU LEVAR NADA QUANDO MORRER”
Dita por qualquer mortal, essa frase é só um clichê.
Na boca do homem mais rico do mundo, não é.
Carlos Slim diz como lida com a transitoriedade da riqueza, diz o que é importante em seu modelo de gestão e define a felicidade.

Quais os pontos-chave de seu modelo de gestão?
Os princípios não são novos. Têm 40 anos e estão resumidos em um decálogo. A eles, acrescentaria algo fundamental: a equipe, as pessoas. São as pessoas que tornam as coisas possíveis. Pessoas interessadas, motivadas, que vestem a camisa, como dizemos. E que sabem que podem alcançar qualquer desafio proposto. É preciso que exista harmonia no grupo de trabalho, que os êxitos sejam de todos.

Uma vez o senhor disse que o “importante não é a riqueza, mas o que se faz com ela”. O que o senhor pretende fazer com sua riqueza nos próximos anos?
Ninguém leva nada deste mundo quando morre. Então, creio que a riqueza deve ser administrada com eficiência, probidade, eficácia e sobriedade para produzir mais riqueza. Um dos frutos da riqueza é a renda, e é preciso fazer com que exista redistribuição. Isso ocorre por via fiscal ou por via de remuneração salarial. E, com um trabalho adicional, podemos avançar naquelas coisas que não são rentáveis. É importante, por exemplo, que a população esteja bem nutrida, tenha boa saúde, boa educação. Essas coisas não são rentáveis, mas são um investimento social. Então, estamos fortalecendo nossas fundações – que, no caso da Carso (conglomerado industrial que deu origem ao Grupo Slim), têm mais de 20 anos. O desafio que tenho há quatro ou cinco anos é tratar de combater a exclusão e a pobreza através de saúde, educação e emprego. Esse é o meu desafio.

Como o senhor divide seu tempo entre as iniciativas de filantropia e o dia-a-dia de suas empresas?
Não divido o tempo. Nunca dividi. Quando alguma atividade demanda mais atenção, atendo a essa demanda. Em relação às empresas, aquela em que continuo presente é a Ideal, que tem como objetivo promover o desenvolvimento e o emprego na América Latina por meio do investimento produtivo. Também cuido das fundações.

A Ideal tem projetos para o Brasil?
Claro. Não tenho nenhum plano concreto neste momento, mas sentimos que o Brasil tem uma força extraordinária, um potencial enorme. Creio que há um grande número de empresários notáveis, governos que têm sido consistentes em suas políticas econômicas e criaram um clima adequado para o desenvolvimento empresarial.

Qual é a situação do mercado brasileiro nos planos do grupo?
É da maior importância. Temos no Brasil investimentos muito importantes em um setor que também é de infra-estrutura: a área de telefonia. Esse mercado cresce muito e vai continuar crescendo. Por outro lado, a Telmex está trabalhando com a melhor tecnologia para oferecer mais serviços e mais concorrência em todas essas áreas.

Como recebeu a notícia de ser apontando como o homem mais rico do mundo?
Não recebi nenhuma notícia. Mas isso é irrelevante. Não é uma competição. Não estou jogando futebol. Me preocupa mais quanto estamos investindo e o que está acontecendo em nosso trabalho do que uma coisa desse tipo.

Mas, com essas notícias, surgiram novamente comentários de que o senhor teria enriquecido a partir de um monopólio da telefonia no México.
Veja, todas as empresas do grupo enfrentam forte concorrência. Todas! E temos concorrido em todos os terrenos, como a fabricação de papel, contra grandes empresas como a Kimberly-Clark e a Scott Paper. No caso da Sanborns (principal cadeia mexicana de restaurantes, que também comercializa produtos eletrônicos, livros e medicamentos), temos a concorrência do Wal-Mart, da Starbucks e de outros restaurantes. Na área de cigarros, enfrentamos a British American Tobacco, que vocês conhecem muito bem no Brasil. Com a Telcel, na área de celulares, a concorrência entrou antes. Isso quer dizer que eles tinham o monopólio. A Telmex, nossa empresa na telefonia fixa, teve seis anos de atividade exclusiva, mas apenas em longa distância. A partir de 1996, houve concorrência. Em longa distância, concorremos com as maiores do mundo, como MCI e AT&T. Na telefonia móvel, vieram gigantes como Verizon, Vodafone e Telefónica. Então, estamos competindo há muitos anos. Na telefonia fixa, como somos os únicos que atendem aos mercados C, D e E, temos 100% . Mas nos mercados A e B há grande concorrência, que será ainda maior no futuro.

Um documento recente da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, a OCDE, diz que os preços da telefonia no México são excessivos.
Nosso preço é a metade daquele praticado na Europa. Em países como Peru, Chile e Argentina, entramos como terceiro ou quarto (colocados no mercado). Essa é a realidade. É algo palpável. Não estou sugerindo que creiam ou não nesses fatos. Mas, cada vez que existe uma forte concorrência de mercado, criticam o líder para tratar de regular (o mercado) assimetricamente, enfraquecê-lo, amarrar uma mão ou um braço. Isso é algo que nunca pedimos nos

Mas no México há uma limitação: os estrangeiros não podem entrar com força total na área de telefonia porque são proibidos de controlar empresas do setor.
Isso tem sido interessante, porque, apesar de haver essa proibição, eles dão uma volta ilegalmente. Operam com fundos (trust funds). Acreditamos que é uma irregularidade, que isso não deveria existir. Mas, veja, não somos contra a abertura. Não temos nos oposto na mídia.

As pessoas observam a evolução de seu patrimônio e a situação de pobreza em seu país e perguntam: como é possível que o homem mais rico do mundo esteja no México?
Não é no México, é a partir do México. Você e as pessoas dizem no México, mas é a partir do México.

A partir do México, então. Mas qual seria a sua resposta?
Bem, fico muito contente que exista uma empresa – oxalá existissem muitas outras – que, a partir do México, um país em desenvolvimento, tenha se tornado uma transnacional, que compete globalmente e com sucesso com os grandes do mundo. E fico contente que os investidores estejam dando grande valor a essa empresa pela forma tão eficaz como ela se desenvolveu. E que, em lugar de estar absorvendo outras empresas, ou se endividando, tenha seguido uma política que favorece os acionistas por meio de recompras e dividendos. Essa empresa, que valia zero há 15 anos, e que agora tem um valor muito importante nos mercados, se chama América Móvil. O fato de que se faça isso a partir do México ou de qualquer lugar não é importante. O importante é que a riqueza esteja sendo criada. Eu não tenho contas bancárias, apartamentos ou casas fora do país. Não vou levar nada quando morrer. Então, o fato de que em nossos países se crie essa riqueza é formidável. No Brasil, há muitas coisas sendo criadas, (grupos locais) estão comprando empresas fora do país. Que bom! É muito importante que o investimento estrangeiro não apenas flua para nossos países. É importante que a globalização seja algo que possamos fazer a partir de nossos países. Que bom que esteja sendo criada riqueza em nossos países. Um exemplo é a Vale do Rio Doce, que está em expansão. É formidável. Espero que siga crescendo.

É verdade que o futurólogo Alvin Toffler e o cientista Nicholas Negroponte têm dado assessoria a seus negócios?
Eles são bons amigos, gosto muito deles. Costumamos falar do que aconteceu, do futuro, trocamos impressões. Mas eles não são assessores, são amigos.

Falando em futuro, quais são as tendências para a economia?
O que deve ficar claro – e é preciso ler, mesmo, Alvin Toffler – é a mudança civilizatória. Vivemos agora numa sociedade em que a tecnologia tem avançado tanto e a produtividade é tão grande que os seres humanos podem viver, em sua grande maioria, dedicados aos serviços. Estamos numa sociedade de serviços que tem paradigmas como a democracia, a liberdade, a pluralidade, a diversidade, os direitos humanos, o cuidado com o meio ambiente. E também a concorrência, a globalização, a produtividade, a criatividade, a inovação e a intensa mobilidade social. Mas a maravilha maior dessa nova civilização é que ela se desenvolve e se sustenta com o bem-estar dos demais. A ninguém mais convém explorar outra pessoa, a pobreza. O que convém é ter gente preparada, qualificada, que tenha tempo, que tenha capacidade de compra, que tenha um bom salário. É isso que sustenta o desenvolvimento agora.

“MINHA FAMÍLIA, OS AMIGOS, A NATUREZA. ISSO É O QUE ME FAZ FELIZ”

Como esses aspectos serão explorados por suas empresas?
Há possibilidades de se desenvolver nesses novos campos de serviços. O entretenimento é muito importante. As pessoas têm muito tempo livre. Mais esportes, mais cultura, educação de mais alto nível. Há uma gama enorme de campos novos com enorme potencial de desenvolvimento.

Qual o pior erro que um empresário pode cometer?
Podem ser muitos… Não ter as melhores referências mundiais, não reinvestir, não estar com equipamento de ponta, estar atrasado em sua capacidade produtiva e não oferecer qualidade de serviço ao cliente, não desenvolver seu capital humano. E há grandes erros, como querer fazer tudo às pressas, quando as coisas têm seus tempos. É preciso entender os tempos: ter uma visão de longo prazo ainda que se tenha de atuar no curto.

O que faz o senhor feliz?
O que me faz feliz? Minha família, meu amigos. Conversar com amigos ou com gente de quem se pode aprender algo. A natureza me faz feliz. São muitas coisas.

O senhor é feliz?
Creio que sim. Mas creio que a felicidade não é um estado, é um caminho. Não é estar feliz. É um caminho, em que há obstáculos, problemas. Mas o caminho da felicidade existe quando você tem claros seus valores principais e quando você é coerente com eles e consigo mesmo.

FONTE: Carlos Slim Helú
Acesse e leia íntegra do texto: http://www.carlosslim.com/preg_resp_entrevistaepoca_portugues_ing.html

Rev. Jucelino Souza
Twitter: http://twitter.com/jucelinosouza
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E-mail: jucelinofs@yahoo.com.br

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