A RELIGIÃO É O ÓPIO POVO… ou o marxismo é ópio dos tolos?

Posted: Fevereiro 13, 2012 in Blogs Recomendados
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Rev. Jucelino Souza

"O Marxismo é ópio dos tolos"

"O Marxismo é ópio dos tolos"

“ A RELIGIÃO É O ÓPIO DO POVO ”

“ O sofrimento religioso é, ao mesmo tempo, expressão de um sofrimento real e protesto contra um sofrimento real. Suspiro da criatura oprimida, coração de um mundo sem coração, espírito de uma situação sem espírito: a religião é o ópio do povo.” [Karl Marx]. Em alemão “Die Religion … Sie ist das Opium des Volkes” é uma citação da Crítica da Filosofia do Direito de Hegel (em alemão, Kritik des hegelschen Staatsrecchts) de Karl Marx, obra publicada em 1844.

“… a religião é o ópio do povo,” esta frase tem sido atribuída a um ateu materialista chamado Karl Heinrich Marx, fundador do marxismo, que viveu em 1818 a 1883, nascido em Trier / Prússia. De família judaica, seu pai era advogado, e um detalhe importante, todos na família foram batizados na Igreja Luterana.

Não é coisa muito simples precisar o que Marx estava dizendo exatamente ao pronunciar estas palavras, uma vez que os próprios pesquisadores de sua vida e obras têm explicações diferentes. Estaria ele referindo-se sobre a história das religiões ou sobre a origem das religiões? Sua finalidade era atacar quaisquer que fossem as manifestações religiosas de sua época? Estaria ele expressando suas convicções ateístas ou suas convicções materialistas? Seu alvo era o Senhor Deus, descrido por ele ou os filósofos das ciências sociais? A quem estava endereçada esta frase?

Sabe-se, entretanto, que o pensamento de Marx estava diretamente voltado para sua grande luta, a questão da política social, luta que era travada frente a um grupo de filósofos sociais que estavam desculpando toda a injustiça, a desigualdade social mantidas pela classe dominante; acusando a religião, responsabilizando-a por fomentar as ilusões religiosas da grande massa oprimida.

Sabe-se também, que para Marx a religião não poderia ser culpada de coisa alguma, não que ele a estivesse defendo, mas sim porque em suas concepções materialistas: o mundo é guiado por fatores econômicos; por questões materiais e não por questões subjetivas como religião e ética. Daí, “como poderia um eunuco ser acusado de deflorar uma donzela?”, no dizer de Rubens Alves e ainda “como poderia a religião ser acusada de responsabilidade, se ela não passava de sombra, de um eco, de uma imagem invertida, projetada sobre a parede?”.

Este raciocínio pode ser deduzido de outras frases de Marx, que servem mesmo para corroborar o que acabamos de dizer, por exemplo: “Não é a consciência que determina a vida; é a vida que determina a consciência”, outra, “É o homem que faz a religião; a religião não faz o homem” em outras palavras “é o fogo que faz a fumaça; a fumaça não faz o fogo”.

Mas por outro lado, esta frase também nos faz pensar no quanto que a religião, como ópio do povo, pode servir a grupos interessados em dominar; no quanto que ela pode ser manipulada, caracterizada por sofismas, enxertada de ilusões humanas; no quanto de alienação ela pode causar ao homem e como que a semelhança do ópio, ela pode causar tantos danos, mas dar uma sensação de bem estar, uma sensação anestésica de se estar vivendo uma vida utópica.

Não obstante ao exposto, a religião também é positiva. Isto quando ela parte de uma revelação de Deus, do Senhor Deus criador dos céus e da terra, quando ela não é apenas a manifestação de uma vida à procura do seu Dono, mas quando ela é o resultado do encontro de Deus com aqueles que estando ligados com Ele, se desligaram, com aqueles que na exaustão da procura, são achados, são religados, desta maneira a religião não é o ópio do povo, mas sim a vida de um povo consciente e sóbrio.

Rev. Jucelino Souza
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Comentários
  1. abraaoisvi diz:

    Discordo em parte do que vc expõe.
    Marx, tendo sido cristão antes de desenvolver suas idéias, criou um ódio de DEUS.
    Ele odiava o Criador, queria destruir a sociedade para construir uma utopia. Marx dizia ser a religião uma superestrutura criada pela classe dominante (burgueses) para manipulação do proletariado, mas isto era apenas papo dele, era apenas um argumento, que ele sabia ser falso, para ludibriar os incautos.
    Acredito piamente, que o único intento de Marx era o de combater DEUS, por quem ele nutria ódio. Marx tinha o espírito do anti-cristo, e tudo que ele fez foi somente para combater DEUS. Ele não nutria nenhuma simpatia pelos pobres e oprimidos, não mesmo.

    Citações de Marx:

    “Desejo vingar-me d’ Aquele que governa lá em cima.”
    (Karl Marx)

    “Palavras eu ensino todas misturadas em uma confusão demoníaca.
    Assim, qualquer um pode pensar exatamente o que quiser pensar.”
    (Karl Marx)

    Entenda religião como cristianismo.

    Não há nada de bom no Marxismo, é apenas um sistema humano para obtenção de poder, e muito mais perverso que o capitalismo (não estou defendendo o capitalismo como bom).

    • jucelinosouza diz:

      Caro Abraão Isvi,

      Não creio que estejamos discordantes ‘em parte’ ou no todo, em relação o texto em tela, explico.
      Pelo que percebo em seu texto, ao que melhor me parece, vc. entendeu que eu defendi algum lado bom em Karl Marx ou no Marxismo, contudo, não era minha intenção, meu alvo era apenas sua frase famosa.

      Tão somente procurei desfazer argumentos falaciosos em cima da parte mais famosa da frase de Karl Marx, e estabelecer o que em meu entendimento é a interpretação mais apropriada, partindo da frase mais completa e do contexto vivencial do autor, ou seja, tentei ser coerente hermeneuticamente.

      Em tese: se alguém quiser falar da aversão, do desprezo ou até do ódio de Marx pela religião que procure outra frase sua, pois, esta do ‘ópio’ é desapropriada.

      Foi o que vc. fez, nisto, concordamos.

      Quanto as afirmações dos sentimentos dele pela religião, creio ser possível que sejam verdadeiras, contudo, nunca fiz uma pesquisa acurada. Logo, nisto, também nós não discordamos nem no em parte, nem no todo;

      Quanto a avaliação realística dos intentos do referido autor, bem como do sistema que derivado do seu nome,também creio que posso dizer, no que aqui está exposto, que concordo plenamente com vc., não há nada de bom nos dois.

      Contudo, finalizo ressaltando, que tal qual eu quis mostrar em meu post, não podemos lançar nossos argumentos ou fazer afirmações de frases ou ditos, sem a devida contextualização das mesmas. É necessário que antes de tudo, perguntemos e respondamos: 1. Ele falou exatamente isso mesmo? 2. Em que obra posso encontrar esta citação? 3. Qual foi o momento vivencial em que esta frase foi proferida? 4. É justo histórica e gramaticalmente esta interpretação?

      Forte abraço e obrigado por sua participação.

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