ENTREVISTA: Rev. LUDGERO BONILHA

Posted: Agosto 14, 2010 in Blogs Recomendados
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Por Felipe Pinheiro
Fonte: www.guiame.com.br

Rev. Ludgero Bonilha Morais

Igrejas Universal e Mundial são seitas, diz Igreja Presbiteriana do Brasil, “Seja eu, você, o bispo Macedo ou qualquer um de nós estamos sujeitos a nos enfermar”, afirma reverendo presbiteriano ao explicar doenças que afetam os cristãos.

A restrição que pastores e teólogos já faziam a respeito da teologia pregada pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) foi assumida de forma oficial pela Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). A denominação de Edir Macedo foi considerada seita pela congregação histórica. A Mundial do Poder de Deus, liderada pelo apóstolo Valdemiro Santiago – dissidente da Universal -, entrou na mesma classificação.

“Essas igrejas não têm nenhuma preocupação quanto a fundamentação bíblica de suas crenças. É muito mais Deus me revelou, Deus me falou, do que propriamente uma consistência exegética, hermenêutica, de um estudo mais detalhado das escrituras. É muito mais catolicismo do que protestantismo”, justificou o reverendo Ludgero Bonilha Morais, secretário executivo do Supremo Concílio da IPB.

Em entrevista ao Guia-me, Ludgero explicou por que a igreja que não faz re-batismos decidiu desconsiderar o ritual de arrependimento realizado por João Batista que é feito pelas duas denominações neopentecostais.

“Nós entendemos que determinados batismos não ocorreram, eles utilizaram-se de uma gíria evangélica, mas o batismo efetivamente não aconteceu”, disse o reverendo.
Em comum entre as duas igrejas está a defesa da Teologia da Prosperidade, que ganhou força no Brasil na década de 1980. Denominações como Verbo da Vida e nomes como Valnice Milhomens propagaram os ensinos da confissão positiva no país.

Guia-me: Foi definido na última assembleia do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) que as igrejas Universal do Reino de Deus e Mundial do Poder de Deus são seitas. O que levou a IPB assumir essa decisão? Por que elas são consideradas seitas?
Rev. Ludgero: Por causa dos estudos que nós fizemos quanto a teologia dessa igreja [Universal]. É uma igreja que tem uma ênfase desproporcional em relação às pessoas da trindade, a dificuldade que sem tem em relação a singularidade das Escrituras, a defesa quanto ao aborto. São coisas dessa natureza.

Guia-me: Foram consideradas seitas apenas essas duas: Universal e Mundial?
Rev. Ludgero: A Mundial por causa da ênfase exagerada de revelações extra-Escrituras e uma ênfase muito grande na questão do milagre em detrimento da mensagem do Evangelho.

Guia-me: Essa decisão também inclui a doutrina da Teologia da Prosperidade?
Rev. Ludgero: Sim, também.

Guia-me: A Teologia da Prosperidade ganhou uma força muito grande nas décadas de 1980 e 1990 no Brasil com igrejas como Verbo da Vida e nomes como a apóstola Valnice Milhomens. Por que só agora a IPB tomou essa iniciativa?
Rev. Ludgero: Porque a Igreja Presbiteriana é muito consistente. As decisões do Supremo Concílio acontecem de quatro em quatro anos e nós não tomamos decisões precipitadas. Elas são estudadas, analisadas. Essas igrejas que estão acontecendo agora não têm declarações confessionais escritas. Muitas dessas afirmações são simplesmente verbais.
Um pastor de uma determinada igreja como essas diz alguma coisa no sul, e um outro pastor da mesma igreja diz outra coisa completamente disparatada no norte. Nós não temos uma consistência nas declarações. Por isso a gente espera que as igrejas se afirmem através de documentos, livros, publicações. Ao aguardar esses livros, evidentemente demora para firmarmos uma posição que já sabemos mas não podemos provar porque não tem uma documentação a respeito.

Guia-me: Mesmo que não tenham uma documentação, essas igrejas – desde Kenneth Hagin até Benny Hin – se baseiam biblicamente para justificar as suas crenças. A decisão da IPB seria um esforço para conter esse movimento de fé que conquista cada vez mais fiéis?
Rev. Ludgero: Essas igrejas não têm nenhuma preocupação quanto a fundamentação bíblica de suas crenças. É muito mais Deus me revelou, Deus me falou, do que propriamente uma consistência exegética, hermenêutica, de um estudo mais detalhado das escrituras. É muito mais catolicismo do que protestantismo.
Absolutamente não queremos conter ninguém. O fato é que não estamos preocupados com eles, mas com gente que vem dessas igrejas e que desejam se tornar membros da Igreja Presbiteriana. Como é que vamos recebê-los? É aí que nos preocupamos.

Guia-me: Vocês chegaram a decidir algo sobre outras denominações neopentecostais?
Rev. Ludgero: Não. Somente essas duas.

Guia-me: Qual a opinião da IPB a respeito das denominações que acreditam num processo de cura interior, de que o crente precisa ser liberto do que ele fez antes de se converter?
Rev. Ludgero: O que nós cremos é que no momento que uma pessoa aceita a Cristo como seu salvador, as coisas velhas se passam e eis que tudo se faz novo. Essas maldições hereditárias, essa bobajada toda que está sendo proclamada ultimamente, tem muito mais a vê com um conceito equivocado da obra perfeita e acabada de Cristo do que qualquer outra coisa.
Quando a obra de Cristo é aplicada na vida do crente, a Bíblia diz: – Para esse não há mais condenação. As coisas velhas passaram. Os pecados anteriormente cometidos foram todos perdoados, limpados e não há mais do que tratar desse assunto.

Guia-me: O que o senhor pensa a respeito de influenciar o mundo físico a partir do mundo espiritual, quando por exemplo é declarado a passagem de Isaías 53:5 – “o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados”?
Rev. Ludgero: Veja só, o fato é o seguinte: Todos os seres humanos crentes, por mais piedosos que sejam inclusive, morrerão de alguma enfermidade. O sujeito está com 90 anos, ele morre da falência dos seus órgãos. Então a enfermidade é parte da queda da raça humana. O crente é salvo, mas, no entanto, não é colocado debaixo de uma redoma, ele não está protegido das intempéries da existência. Existem enfermidades que têm uma gênese num determinado pecado específico. O sujeito cometeu um determinado pecado,ele pode se enfermar por causa daquilo.
Agora existem várias enfermidades que não tem absolutamente nada a ver com questões propriamente de pecados específicos. O sujeito deu uma topada no degrau de uma escada e quebrou o dedão, não obrigatoriamente que isso seja relacionado a uma queda espiritual. Ele pode sofrer um acidente, ficar gripado, morrer de câncer e assim por diante. Isso faz parte de que nos vivemos de um mundo em queda. O pecado afetou a todos. Nós somos salvos, mas a nossa salvação se completa somente na glorificação. Paulo diz isso claramente na carta aos Romanos, que aquilo que é mortal não pode herdar a imortalidade, aquilo que é corruptível não pode herdar a incorruptibilidade.
Portanto, seja eu, você, o bispo Macedo ou qualquer um de nós estamos sujeitos a nos enfermar.

Guia-me: Na sua opinião, a Igreja evangélica brasileira cresce de forma saudável à luz das Escrituras ou é apenas algo quantitativo?
Rev. Ludgero: Há muito mais quantidade do que qualidade. O fato é o seguinte: a Igreja evangélica no Brasil hoje está muito mais influenciada por esses líderes carismáticos que passam a ter uma hegemonia sobre a Igreja. A Bíblia diz claramente que quando um profeta fala os outros devem julgar. Então esse tipo de julgamento, esse critério da Igreja, claro que só uma Igreja amadurecida pode fazer isso, não está acontecendo nos nossos dias.
Infelizmente há muita gente entrando para as igrejas neopentecostais mas sem nenhum conhecimento da Palavra de Deus. Não há um estudo sério da Bíblia. São pessoas praticamente ignorantes quanto a Palavra de Deus mas se fiam muito naquilo que o profeta ou o apóstolo falou. É essa coisa de autoridade espiritual sem questionamento.

Guia-me: Tanto que é bastante comum a pessoa se converter numa igreja neopentecostal e acabar migrando para uma denominação com mais solidez bíblica.
Rev. Ludgero: Sim. É por isso a decisão do Supremo Concílio. Muitas pessoas estão vindo para a nossa igreja, da Igreja Universal, da Igreja Mundial da Graça. Muitas pessoas.

Guia-me: Por que foi decidido que o batismo dessas igrejas não seria válido?
Rev. Ludgero: Nós não rebatizamos. Nós entendemos que determinados batismos não ocorreram, eles utilizaram-se de uma gíria evangélica, mas o batismo efetivamente não aconteceu. É como acontece, por exemplo, com o nosso conceito em relação ao batismo católico romano. Nós não rebatizamos, nós batizamos.

rev. Jucelino Souza
e-mail. jucelinofs@yahoo.com.br
Twitter: <strong>@jucelinosouza

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Comentários
  1. Fui pastor presbiteriano por quase 20 anos e resolvi sair da denominação como diversos outros por questões éticas da denominação, dentre elas, o envolvimento direto com a maçonaria, a regulamentação do casamento por “tempo de pecado”, por exemplo: Um presbítero, vice presidente do Presbitério vivia com duas mulheres, quando descobriram ele deixou a esposa e foi morar com a amante, depois de uns dois anos, voltou e se tornou presbítero novamente em plena atividade. Como presidente de conselhos e presbitérios vi diversos presbíteros vivendo com duas mulheres. O Pr. fala de pessoas que vão para as igrejas tradicionais sem nenhum conhecimento das Escrituras, eu pergunto: onde está o conhecimento das Escrituras dessa denominação sobre adultério e novo casamento? Fala também sobre dança. Não seria melhor adorar a Deus com dança por músicas evangélicas do que “adorar” ao diabo com músicas mundanas como vi pastores e membros comuns achando normal as músicas mundanas? Qual é o mais maléfico? Até que concordo com a decisão sobre a IURD, mas seria muito bom olhar pro próprio umbigo e ter maior humildade. Já refletiram na quantidade de pastores que tem saído da IPB? estão todos errados? Reflitam.

    • Maria Ines Silverio diz:

      Se somos realmente convertidos,não sairemos de uma Igreja por motivos de pecados de um irmão.Não posso jogar a primeira pedra, e nem julgar o q.outro irmão faz.Se creio nas escrituras,no plano de salvação,na remissão dos pecados,na bíblia como regra de fé e prática,no Pai,no Filho e no espirito santo,Deus me dá apoio,fortaleza para aguentar o “pecado”,se é q.é q.”pecado” no outro irmão.Não perdoá-lo tb.é pecado.Humildade não é,somente,olhar para opróprio umbigo.Pastores q.se saem da IPB foram q.não se adaptaram ao regime da mesma.Ótimo q.há outras denominações e seitas para pregarem,se é q.estão pregando.Reflita sobre isto,e q.deus o abençoe onde o senhor estiver pregando a palavra.

  2. Não saí da IPB por causa de pecado de um irmão, se fosse assim teria de sair de onde estou, fui tirado da igreja local por homens, dentre eles, tb já saíram da denominação. O pq de terem feito isso comigo estou esperando até hoje. O pq deles terem saído tb não sei. Não sou eu quem perdoo pecado de quem o comete contra Deus, isso é coisa entre o homem e Deus. Quanto a mim cabe ajudar as pessoas a abandonar a prática, é o que sempre fiz até hoje. Refiro-me ao conformismo com pecado, dá pra se ver na expressão “se é q. é pecado”. Essa igreja foi lá no centro da idolatria e do mundanismo me dizer o que é pecado, depois que aceitei a Jesus e passei a pregar contra o pecado, agora me condena gratuita e raivosamente por isso? Estou confuso em relação ao que me ensinaram quando me evangelizaram. Usei a expressão “olhar para o próprio umbigo” só pra causar reação, na realidade refiro-me a fazer uma reflexão mais profunda a respeito de si mesma, pois a IPB é uma ótima igreja, a noiva de Cristo, instrumento de Deus para me tirar das trevas, desde então sou apaixonado por Jesus. Concordo piamente que a grande maioria dos pastores que saem da IPB é por causa do “regime” quando a ovelha manda no pastor, pondo e tirando à hora que bem entende e isso não é bíblico, ao meu ver, e os pastores (esposas e filhos) sofrem muito pq não podem pastorear livremente como o Senhor manda; a grande maioria dos pastores q converso se referem a isso, uns publicam, outros têm medo de abrir a boca. Digo tudo isso para o bem pq amo essa igreja. Saí da denominação quando me tiraram da igreja local, eu era presidente do Presbitério, ora, se eu podia ser presidente do Presbitério pq não podia pastorear a igreja local? Sinceramente não sei até hoje, gostaria de saber antes de morrer. Sentenciaram, julgaram e condenaram e o réu até hoje não sabe qual o crime que cometeu. Ninguém pode ser condenado sem direito a defesa, mas eu não pude me defender mesmo pq não sabia de que estava sendo acusado. Esse tipo de coisa, minha irmã, é que vem expurgando centenas de pessoas que amam essa igreja. Ao invés de brigar comigo, reflita juntamente com as demais pessoas que estão próximas a você. Perdão pela veemência, mas falo sinceramente. O Senhor lhe abençoe ricamente, continue amando essa igreja, nunca saia dela, a não ser como foi o meu caso, como quem tem de cortar um braço para sobreviver.

  3. Isaías Raimundo Fernandes diz:

    Meus caros. A IPB tem sua constituição a qual deve ser repeitada mesmo que não concordemos com algum artigo, pois isto foi prometido na Profissão de Fé. O regime da IPB não é ditatorial, é democrático. A IPB não tem “donos”, tem membros e dentre eles tem líderes que buscam sabedoria e capacitação de Deus para conduzirem a Igreja. Uma Igreja local tem Pastores Regentes e Pastores Docentes (Presbíteros), homens pecadores que não amam o pecado mas buscam a santificação. Na IPB “as ovelhas não “mandam” no Pastor e nem o Pastor “manda” no rebanho. O Conselho da Igreja, formado pelo Pastor e pelos Presbíteros, sob a orientação do Espírito Santo é que “conduzem” o rebanho, não “mandam”. Na IPB os Pastores “passam” pelas Igrejas, mas as Igrejas ficam. Já vi Pastores da IPB darem péssimos exemplos de vida e causarem divisão na Igreja, e depois do “terremoto” são transferidos para outro Presbitério deixando para trás uma Igreja toda machucada e ferida. Infelizmente o inimigo fica cada dia mais astuto: o lobo não veste mais “pele de ovelhas” para se infiltrar no rebanho, muitos lobos estão vestindo “pele de pastor” para ganhar a confiança das ovelhas e depois “comê-las”, fica mais fácil. Já vi isto acontecer várias vezes. Como Presbítero eu costumo defender a Igreja que pertenço de atitudes insensatas de Pastores quando isto acontece, se é que acontecem. Querido Pastor Valmir, pondere na sua vida, nas suas atitudes e na maneira como se comportou durante o tempo que esteve na Igreja que o baniu. Se a IPB olha para o umbigo, talvez o Sr. NUNCA TENHA SE OLHADO NO ESPELHO. Se fizer isto com certeza encontrará os motivos pelos quais o Sr. foi condenado. Outra coisa: acredito que o Sr. tenha tido sim DIREITO DE DEFESA, mas acredito também que seus argumentos foram frágeis e não tinham fundamento. Todas as IPs que eu conheço PENSAM e AMAM os Pastores, sua esposa e seus filhos e já vi Pastores que só isto o fazem, quando o navio está indo a pique.

    • Valmir Pereira de Oliveira diz:

      Venha conversar comigo pessoalmente que lhe mostrarei meus argumentos, não fique à distancia dizendo “acredito que”, não julgue o que não sabe, se me condena sem sequer conhecer a história, imagine na prática como não deva ser. Só pra sua informação: Dos que me condenaram um abandonou a esposa e vive com outra e continua em plena atividade de presbítero, outro abandonou a esposa e vive no mundo, outro abandonou o presbiterato. Sr Isaias Raimundo, não sou só eu que lamento essas coisas, são centenas de pastores, mas não vou perder tempo com isso, mesmo pq estou bem pelas misericórdias do Senhor, lamento pelos amigos que ainda estão aí pedindo socorro sem encontrar quem os ajude…mas estou disponível a conversarmos pessoalmente se quiser. Saiba tb uma coisa: Nunca falarei da igreja de Jesus seja ela qual for, mas posso criticar as instituições humanas falíveis para melhorar. abs.

      • Valmir Pereira de Oliveira diz:

        Quero lhe dizer mais: Você não me conhece e mesmo assim me chamou de LOBO, você vai responder diante de Deus por isso, tá? Esqueci de lhe dizer: Hoje eu sei porque me tiraram é porque eu bati forte contra a maçonaria dentro da igreja, quem me contou foi um presbítero que ficou lá e viu tudo, depois ele saiu dessa igreja e depois saiu da ipb, com todo respeito aos maçons, mas acho que precisa-se definir: Ou é presbiteriano ou é maçon, os dois ao mesmo tempo é que não dá. E o outro motivo foi o crescimento acelerado da igreja. Não esqueça Sr. Isaías, vc chamou um homem de Deus de LOBO, tá? Vc não me conheçe.

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